Os investidores da montadora de Elon Musk têm bons motivos para comemorar o fechamento deste ano. Após enfrentar turbulências significativas, as ações da Tesla deram um salto e atingiram a marca histórica de US$ 491,50 durante o pregão, superando o recorde anterior alcançado há quase exatamente um ano. Os papéis encerraram a sessão cotados a US$ 489,88. Esse movimento fez o valor de mercado da empresa disparar para US$ 1,63 trilhão, garantindo-lhe a sétima posição entre as companhias de capital aberto mais valiosas do mundo, logo atrás de gigantes como Nvidia, Apple e Microsoft, e ligeiramente à frente da Broadcom. A fortuna do próprio Musk acompanhou essa alta, beirando os US$ 683 bilhões, o que o coloca com uma vantagem de mais de US$ 400 bilhões sobre o segundo colocado na lista da Forbes, Larry Page.
Expansão acelerada no Texas O grande catalisador para esse otimismo recente veio diretamente das ruas do Texas. Musk confirmou que a empresa já testa veículos autônomos sem qualquer ocupante a bordo em Austin, cerca de seis meses depois de iniciar um programa piloto que ainda exigia a presença de motoristas de segurança. A novidade ganha ainda mais peso com a decisão da companhia de expandir o seu serviço de robotáxis para outras duas grandes cidades do estado. Agora, os veículos operam em áreas de Houston, como Willowbrook e Jersey Village, e nos arredores de Highland Park, em Dallas. Até então, a frota autônoma da marca, que estreou nas vias de Austin em junho de 2025, circulava de forma restrita por lá e na Baía de São Francisco.
Concorrência acirrada nas ruas O asfalto de Austin virou um verdadeiro laboratório a céu aberto para a tecnologia de direção autônoma, e a Tesla não está sozinha nessa corrida. A empresa divide o espaço com outras operadoras de peso no setor. A Waymo, por exemplo, já lançou seu serviço público de corridas pelo aplicativo da Uber no início de 2025. Os veículos Zoox, da Amazon, também mapeiam a cidade, embora as viagens sejam exclusivas para funcionários neste momento, com previsão de abertura para grupos iniciais de passageiros ainda neste ano. Outros nomes tradicionais da indústria correm por fora. Projetos da Volkswagen e da Avride estão em fase ativa de testes, enquanto a Motional, braço da Hyundai, concentra seus esforços no mapeamento das vias.
O peso da política nas vendas Para os investidores mais entusiasmados, essa rápida expansão territorial é a prova definitiva de que a promessa antiga de transformar os carros elétricos atuais da frota em robotáxis, por meio de simples atualizações de software, finalmente vai sair do papel. Esse cenário promissor, contudo, mascara os solavancos severos que a Tesla enfrentou ao longo dos últimos meses. No primeiro trimestre, a montadora amargou seu pior desempenho na bolsa desde 2022, com um tombo de 36% nas ações. Os números operacionais também não ajudaram, registrando quedas de 13% nas entregas e de 20% na receita automotiva. O segundo trimestre até trouxe algum alívio para os papéis, mas o faturamento com a venda de carros continuou encolhendo, marcando um recuo de 16%.
Polêmicas e impacto na marca Parte dessa crise comercial tem raízes bem longe das linhas de montagem. O ano havia começado de forma aparentemente favorável, muito por conta do papel de Musk na Casa Branca de Donald Trump. O bilionário assumiu a liderança do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), uma iniciativa focada em reduzir drasticamente o tamanho do governo federal americano e cortar regulamentações. Na prática, a associação próxima com o governo e o apoio declarado a figuras políticas de extrema direita ao redor do mundo geraram ruídos. A retórica inflamada do CEO acabou provocando uma forte reação negativa por parte de um grupo expressivo de consumidores, gerando um desgaste considerável de reputação que continuou pressionando as vendas tradicionais da marca.