Após encerrar a última semana no vermelho, o mercado de criptomoedas começa a dar sinais de vida e respira um pouco mais aliviado. Nas últimas 24 horas, tanto a capitalização total do mercado quanto o Bitcoin (BTC) estabilizaram e iniciaram um movimento de recuperação. Quem parece ter aproveitado melhor o momento foram as altcoins, com destaque para o Monero (XMR), que disparou 24% e registrou uma nova máxima histórica, indicando que o apetite ao risco pode estar retornando gradualmente.
Cenário Regulatório Internacional
Enquanto os preços oscilam, o cenário macroeconômico e regulatório traz novidades importantes da Ásia. A Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul finalizou as diretrizes que permitem a empresas listadas e investidores profissionais negociarem criptoativos, pondo fim a um banimento que já durava nove anos. Essa mudança de postura não é isolada; ela se alinha à Estratégia de Crescimento Econômico de 2026 do governo sul-coreano, que também engloba regras para stablecoins e a recente aprovação de ETFs de cripto à vista.
Já nos Estados Unidos, a tensão é legislativa. Relatórios da Bloomberg indicam que a Coinbase pode retirar seu apoio a um projeto de lei sobre a estrutura do mercado de criptomoedas caso o texto restrinja as recompensas de stablecoins. A exchange tem intensificado seus esforços de lobby, argumentando que essas recompensas são fundamentais para seu modelo de negócios, especialmente num momento em que legisladores se preparam para avançar com a pauta.
A alternativa descentralizada: O papel da UniSwap
É justamente nesse contexto de regulação sobre entidades centralizadas, como a Coinbase, a Binance e o Mercado Bitcoin, que as Finanças Descentralizadas (DeFi) ganham relevância como alternativa. A principal representante desse setor é a UniSwap (UNI). Fundada em novembro de 2018 pelo engenheiro Hayden Adams, a UniSwap é uma exchange descentralizada (DEX) que roda na blockchain do Ethereum.
Diferente das corretoras tradicionais, onde há um intermediário custodiando os ativos, a UniSwap é “autogovernada”. Nela, não existe um livro de ofertas centralizado nem uma terceira parte gerenciando o dinheiro dos usuários. As negociações ocorrem diretamente entre os investidores por meio de um Criador de Mercado Automatizado (ou AMM, na sigla em inglês).
Na prática, o protocolo utiliza contratos inteligentes — códigos de computador autoexecutáveis — para armazenar tokens em pools de liquidez. O preço dos ativos é definido por fórmulas matemáticas que levam em conta a quantidade de criptomoedas disponíveis nesses pools. Assim, um vendedor não precisa esperar aparecer um comprador para fechar negócio; ele negocia diretamente com o contrato inteligente. Embora o funcionamento de uma DEX ainda seja complexo para o investidor comum, o que por vezes afeta a liquidez, a UniSwap tem atraído cada vez mais usuários, e seu token nativo, o UNI, já figura entre os 20 maiores em capitalização de mercado.
Análise técnica e movimentação de capital
Refletindo esse interesse renovado tanto em DeFi quanto no mercado amplo, a capitalização total das criptomoedas (TOTAL) adicionou US$ 55,8 bilhões nas últimas 24 horas. O valor agora ronda a casa dos US$ 3,11 trilhões, segurando-se firme acima do suporte de US$ 3,09 trilhões. A entrada de capital sugere uma melhora no sentimento, embora a convicção do mercado ainda pareça frágil devido à volatilidade recente.
O Bitcoin, termômetro do setor, demonstrou força no gráfico diário, sendo negociado a US$ 92.324 no momento desta análise. Após dias de pressão vendedora, onde o ativo parecia prestes a retestar os US$ 90.000, o BTC superou o nível de US$ 91.511 e agora volta suas atenções para a resistência de US$ 93.471. Segurar esse patamar é crucial para abrir caminho rumo aos US$ 95.000.
Contudo, os riscos de baixa não desapareceram. Caso o sentimento enfraqueça e a realização de lucros volte a dominar, perder o suporte de US$ 3,09 trilhões na capitalização total poderia empurrar o mercado para US$ 3,05 trilhões. Para o Bitcoin, um recuo abaixo de US$ 91.511 invalidaria a tese altista de curto prazo, recolocando o teste dos US$ 90.000 no radar.