A quinta-feira (20) marca uma data importante no calendário de investidores, tanto no cenário doméstico quanto no internacional, com grandes empresas anunciando distribuições de lucros significativas. O destaque no Brasil fica por conta da Petrobras (PETR4), que dá continuidade à sua política de remuneração aos acionistas, enquanto no exterior, a gigante britânica de miniaturas Games Workshop reporta números históricos.
Pagamentos da estatal brasileira
O pregão de hoje começa com dinheiro caindo na conta para quem detém papéis da petroleira brasileira. Dando sequência ao seu cronograma de proventos, a Petrobras realiza nesta sessão o pagamento de dividendos que podem chegar a R$ 1,47 por ação. O valor contempla tanto as ações ordinárias quanto as preferenciais, movimentando o fluxo financeiro da bolsa brasileira e reforçando a atratividade dos ativos da companhia para quem busca renda passiva.
Desempenho recorde da criadora de Warhammer
Enquanto o mercado brasileiro reage ao pagamento da Petrobras, no Reino Unido, a Games Workshop — fabricante do popular universo Warhammer — divulgou resultados operacionais robustos. A empresa anunciou um aumento nos seus dividendos após registrar um ano recorde em vendas, demonstrando resiliência mesmo diante de desafios macroeconômicos globais, incluindo o impacto das tarifas comerciais impostas pelo ex-presidente Trump.
A companhia reportou um salto de 10,9% na receita, atingindo a marca de £ 332,1 milhões. O motor desse crescimento foi o seu negócio principal de miniaturas. A maior fatia dessa receita veio das vendas para o comércio (trade), somando £ 207,4 milhões, seguida pelo varejo físico (£ 64,1 milhões) e operações online (£ 44,6 milhões).
Esse desempenho operacional impulsionou o lucro da empresa, que subiu de £ 126,1 milhões no primeiro semestre de 2024 para £ 141 milhões no primeiro semestre de 2025. Diante desses números, o conselho declarou nesta manhã um dividendo de £ 1,10 por ação. Com isso, o total de proventos declarados no ano fiscal de 2025/26 já alcança £ 4,85 por ação.
Kevin Rountree, CEO da Games Workshop, celebrou o momento: “Estou muito satisfeito em reportar um desempenho semestral recorde. Um enorme obrigado à nossa equipe, clientes, parceiros comerciais e demais partes interessadas pelo apoio contínuo”.
Desafios com tarifas e licenciamento
Apesar do balanço positivo, a empresa — que foi promovida ao índice FTSE 100 há um ano — enfrentou ventos contrários. A Games Workshop apontou um impacto de £ 6 milhões em seus custos, citado como “consequência direta das mudanças nas tarifas dos EUA”.
Para mitigar esse cenário, a administração agiu rápido. O impacto na margem bruta foi mais do que compensado por ganhos de eficiência, preços de commodities mais estáveis, menores baixas de estoque e um aumento de preços de cerca de 3,5% em suas miniaturas e livros. “Nosso trabalho não acabou — esta continuará sendo uma área-chave de foco”, reforçou a empresa em comunicado.
Outro ponto de atenção foi o negócio de licenciamento, cuja receita caiu quase pela metade, fechando em £ 16 milhões após um ano considerado “desafiador”. A empresa utiliza a propriedade intelectual de Warhammer para fechar acordos de produção de videogames e séries de TV.
Sobre a aguardada produção live-action em parceria com a Amazon MGM Studios, Henry Cavill e a Vertigo, a companhia informou que o projeto segue em desenvolvimento, mas pediu paciência aos fãs. “É da natureza dessas coisas levar vários anos”, explicou a nota oficial. A direção ressaltou que, diferentemente do negócio principal de miniaturas, onde conseguem prever lançamentos com precisão, a entrega de projetos licenciados foge ao controle direto da empresa, dependendo da gestão dos parceiros.
Vale lembrar que o Warhammer, antes restrito a um nicho de hobbyists, explodiu em popularidade durante a pandemia. Esse “boom” refletiu diretamente no mercado financeiro, com as ações da companhia valorizando mais de 75% nos últimos cinco anos, consolidando a estratégia de recompensar os acionistas com pagamentos robustos, movimento que se repete agora.