A Xiaomi teve uma ascensão global que beira o absurdo nos últimos anos, e não é difícil entender a tração da marca. Ela se consolidou como uma verdadeira máquina de lançar aparelhos competitivos, onde as linhas Redmi e Poco basicamente monopolizam as conversas quando o assunto é desempenho robusto por um preço justo. Se a sua ideia é investir num celular novo agora em 2025 sem esfolar a carteira, existem opções excelentes na mesa. Mas o jogo mudou, e a fabricante também está armando um bote pesado no segmento de altíssima gama, provando que consegue atuar nos dois extremos do mercado com a mesma agressividade.
A dominância no custo-benefício
Começando pela porta de entrada da linha atual, o Redmi Note 14 desembarcou logo em janeiro deste ano. É um aparelho focado em quem precisa economizar, mas se recusa a carregar uma câmera medíocre no bolso. O sensor principal dele tem absurdos 108 MP com uma abertura de f/1,7, o que por si só já garante um caldo excelente na hora das fotos. A tela é um show à parte: um display AMOLED de 6,67 polegadas (Full HD+) de 2400 x 1080 pixels, entregando pretos profundos e um contraste bem calibrado. Com 120 Hz de taxa de atualização e 1.800 nits de pico de brilho, a fluidez é garantida e ler mensagens sob o sol forte não é um problema.
No coração desse cara bate o Helio G99-Ultra da MediaTek, um chip de 6 nanômetros que alcança 2,2 GHz. Dá pra achar versões dele em três sabores: 6 GB de RAM com 128 GB de espaço, 8/128 GB ou logo 8/256 GB, todas aceitando expansão via microSD de até 1 TB. O conjunto é alimentado por uma bateria de 5.500 mAh, capaz de segurar a onda por um dia e meio de uso moderado. É um celular 4G e já sai da caixa rodando o HyperOS em cima do Android 14.
Se a conectividade de nova geração é inegociável pra você, o Redmi Note 13 5G ainda é um baita negócio, mesmo sendo um modelo de 2024. A tela mantém as 6,67 polegadas em AMOLED e os 120 Hz, mas o brilho máximo fica em 500 nits. O display ainda traz o Gorilla Glass 5 pra aguentar uns trancos e arranhões básicos. No quesito foto, ele manda bem com uma lente principal de 64 MP que permite um zoom de até três vezes sem zoar a resolução da imagem. O setup fotográfico se completa com uma ultrawide de 8 MP, uma macro de 2 MP e a câmera frontal de 16 MP (que grava em 1080p a 60 ou 30 quadros por segundo). Ele roda liso com o processador Dimensity 6080 da MediaTek, amparado por 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. A bateria é de 5.000 mAh e, por mais que a marca não crave as horas exatas de autonomia, é componente suficiente pra durar mais de um dia inteiro. A interface aqui é a MIUI 14 sobre o Android 13.
Subindo um pouco a régua do processamento, caímos no POCO X6, que é o puro suco da performance intermediária focada em hardware de 2024. O pacote de câmeras é quase idêntico ao do Note 13 — 64 MP na principal, 8 MP na ultrawide e 2 MP na macro —, mas com o diferencial de que a câmera principal dele consegue gravar vídeos em 4K a 30 fps. O grande trunfo do X6 é o motor: ele é empurrado por um Snapdragon 7s Gen 2 da Qualcomm, batendo mais de 640 mil pontos no AnTuTu, o que já diz muito sobre a capacidade dele de entregar fluidez. Ele combina 8 GB de RAM com 256 GB de espaço.
A tela do X6 dá um upgrade técnico na resolução, entregando 2.712 x 1.220 pixels num painel AMOLED CrystalRes de 6,67 polegadas, mantendo os 120 Hz e resgatando os 1.800 nits de brilho extremo. A bateria de 5.100 mAh aguenta firme mais de 11 horas de navegação na web ou umas 20 horas de reprodução de vídeo. Lançado com Android 13 sob a MIUI 14 for POCO, a marca prometeu um suporte parrudo para ele: três anos de atualizações de sistema operacional e quatro anos de patches de segurança. E caso a ideia seja extrair ainda mais poder bruto desse mesmo ecossistema, o Poco X6 Pro surge como a evolução direta dessa linha, mantendo a filosofia mas entregando mais fôlego no uso exigente.
O ataque feroz ao mercado premium
Acontece que a estratégia da Xiaomi parou de orbitar exclusivamente a relação custo-benefício acessível. O mercado de alto padrão que se segure, porque a marca acaba de confirmar o Xiaomi 17 Max, um aparelho projetado milimetricamente para bater de frente com os gigantes da indústria. Com lançamento agendado para o mês de maio na China, o celular já está até com a pré-venda rodando por lá.
Os teasers oficiais revelaram o aparelho num tom azul claro bem elegante, ostentando um módulo de câmeras quadrado que pega emprestada a linguagem visual do Xiaomi 15. Ao contrário da versão 17 Pro, esse modelo Max dispensou a tela secundária traseira para focar num gigantesco display principal plano de 6,9 polegadas.
O que se sabe pelos vazamentos mais quentes do setor pinta o retrato de um verdadeiro monstro de processamento. A expectativa é que o sistema venha embarcado com o futuro e potentíssimo Snapdragon 8 Elite Gen 5. O sistema de câmeras, logicamente afinado pela Leica, deve ser liderado por um sensor principal de 200 MP, escoltado por uma lente periscópio de 50 MP capaz de entregar um zoom óptico de 3x.
E se as baterias de 5.000 mAh da linha intermediária já dão conta do recado, a Xiaomi chutou a porta no 17 Max: os vazamentos apontam para um tanque insano de 8.000 mAh. Para colocar em perspectiva o tamanho do absurdo, o Xiaomi 17 Pro Max traz 7.500 mAh e o 17 Ultra estaciona nos 6.000 mAh. Para preencher essa capacidade colossal sem fazer o usuário envelhecer esperando, ele suportará carregamento cabeado de 100W e carregamento sem fio de 50W.
Completando o pacote, o smartphone deve trazer leitor de impressões digitais ultrassônico e alto-falantes estéreo simétricos. O analista de vazamentos Digital Chat Station estima que a brincadeira comece custando cerca de 5.199 Yuan (algo na casa dos 765 dólares). Resta saber quando esse tanque de guerra vai dar as caras no ocidente e por qual preço, mas a mensagem está mais do que clara: do baratinho ao topo de linha, a Xiaomi não está no mercado para ser coadjuvante.