No mais recente pregão, as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) demonstraram movimentação relevante, fechando cotadas a R$ 20,88, o que representa uma valorização diária de 0,43%. Os papéis oscilaram entre a mínima de R$ 20,38 e a máxima de R$ 20,94, gerando um volume financeiro expressivo de R$ 721.938.342,00. Esse desempenho reflete a liquidez e a importância do banco no mercado de capitais brasileiro, onde suas ações ordinárias (BBDC3) e preferenciais compõem, juntas, cerca de 10% da carteira do Ibovespa. Vale notar que as ações preferenciais possuem um peso cinco vezes maior no índice do que as ordinárias e estão listadas no Nível 1 da B3, atestando as boas práticas de governança corporativa da instituição.
A Trajetória do Gigante Bancário
O Bradesco mantém sua posição consolidada como o segundo maior banco privado do país, logo atrás do Itaú-Unibanco. Sob o controle da Companhia Cidade de Deus e da Fundação Bradesco, a instituição opera com uma estrutura massiva que abrange mais de 71 milhões de clientes, 4,6 mil agências e um corpo funcional de aproximadamente 99 mil colaboradores.
A robustez atual é fruto de uma estratégia agressiva de expansão. Ao longo de sua história, o banco cresceu via incorporações, somando quase 20 aquisições apenas entre 2000 e 2007. O movimento mais emblemático ocorreu em 2016, com a compra das operações do HSBC Bank no Brasil por R$ 16 bilhões, o que elevou os ativos totais da instituição para a casa de R$ 1,277 trilhão. Mantendo o ritmo de internacionalização, três anos depois, o banco anunciou a compra do norte-americano BAC Florida por cerca de R$ 2 bilhões.
Corrida Antecipada e Mudanças Fiscais
Enquanto instituições financeiras como o Bradesco seguem operando em um mercado dinâmico, o cenário macroeconômico brasileiro registrou um fenômeno atípico no fechamento do último ano. Dados divulgados pelo Banco Central na segunda-feira indicam que as empresas brasileiras realizaram um envio recorde de lucros para o exterior em dezembro. O movimento é visto como uma clara antecipação à nova tributação sobre remessas que entrou em vigor em janeiro.
As remessas de lucros e dividendos totalizaram US$ 18 bilhões, mais que o dobro dos US$ 8,8 bilhões enviados no mesmo período do ano anterior. Este é o maior volume já registrado na série histórica do Banco Central, iniciada em 1995. Como reflexo direto dessa saída de capital, os lucros reinvestidos no país apresentaram um fluxo negativo de US$ 11,4 bilhões, indicando que o volume enviado para fora superou os lucros auferidos no mês — outro recorde histórico.
A nova regra, implementada pela administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelece uma alíquota de 10% de imposto retido na fonte sobre remessas de lucros. A medida integra o pacote fiscal desenhado para compensar a expansão da isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5.000 mensais, uma das principais bandeiras da campanha de reeleição do governo.
Impacto no Investimento Direto e Contas Externas
O chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, destacou em coletiva de imprensa que essa disparada nas remessas foi o fator determinante para o resultado negativo do Investimento Direto no País (IDP) em dezembro. O mês fechou com uma saída líquida de US$ 5,2 bilhões, frustrando as expectativas do mercado, que projetava, segundo pesquisa da Reuters, uma entrada de US$ 1 bilhão. Rocha ponderou que os dados podem sinalizar tanto a antecipação fiscal por parte das firmas quanto a solidez dos lucros corporativos na maior economia da América Latina no ano passado.
Apesar da volatilidade no fim do ano, o IDP acumulado em 2025 encerrou em 3,41% do Produto Interno Bruto (PIB), mantendo-se praticamente estável em relação aos 3,39% registrados em 2024. O deficit em transações correntes seguiu a mesma tendência de estabilidade, fechando o ano em 3,02% do PIB, revertendo a deterioração observada no início de 2025, quando o deficit chegou a quase 3,7% no acumulado de 12 meses devido ao aumento das importações impulsionadas pela forte demanda interna.
Política Monetária e Perspectivas
No encerramento do ano, sinais mais claros de desaquecimento econômico surgiram, fruto da postura vigilante do Banco Central. A autoridade monetária manteve a taxa de juros em 15% — um patamar próximo das máximas de 20 anos — com o objetivo de conduzir a inflação de volta à meta de 3%.
O mercado agora volta as atenções para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para terça e quarta-feira, com a ampla expectativa de manutenção da taxa pela quinta vez consecutiva. Em dezembro, o deficit em conta corrente ficou em US$ 3,4 bilhões, resultado melhor que a projeção de economistas (que esperavam um rombo de US$ 5,3 bilhões), auxiliado por um superávit comercial robusto de US$ 8,8 bilhões, mais que o dobro do verificado um ano antes.