Suprimentos e ESG: uma aliança que tem tudo a ver

O CPO e gerente executivo da cadeia de suprimentos da Petrobras, Rodrigo Ferreira, contou a sua história de vida para o openSAP Podcasts. Como no segmento que atua agora, ele teve que ser resiliente, persistente e muito disciplinado para alcançar seus objetivos.

Rodrigo Ferreira, CPO (Chief Product Officer) e gerente executivo da cadeia de suprimentos da Petrobras, quase ganhou na loteria alguns anos atrás. Ele, que também é membro para o setor de energia do Think Tank da SAP, acertou cinco dos seis números necessários da Mega Sena. Ferreira contou a história logo no início de sua participação no openSAP Podcasts.

“Realmente, do fundo do meu coração, me sinto com sorte de qualquer maneira. Eu amo o que faço, gerenciando operações complexas em grandes organizações e contribuindo para fazer uma grande diferença nos negócios. Tive muita sorte de reportar a alguns líderes fantásticos durante minha carreira que me inspiraram e me ajudaram a crescer e a ter sucesso. Portanto, não posso reclamar. Eu realmente amo o que faço. E, se eu tivesse ganhado na loteria naquele dia, provavelmente, não estaria administrando meu negócio, mas estaria fazendo exatamente o que tenho feito”, disse.

Ferreira se formou em engenharia, fez MBA e trabalhou na General Electric antes de ingressar na Petrobras. Foi na GE que a carreira em suprimentos começou. “Quando eu era líder em operações em uma divisão química da GE, fiquei realmente muito furioso com o desempenho de nossa cadeia de suprimentos, porque os clientes estavam muito insatisfeitos com nosso desempenho de entrega de alimentos. Fiquei realmente chateado ao ouvir as reclamações dos clientes. Aí eu reclamei tanto que, um certo dia, o CEO daquela divisão resolveu reorganizar o negócio. Ele me disse: Rodrigo, venha aqui. Você está reclamando muito. Agora vá lá e conserte”, contou.

Em sua carreira, trabalhou também em empresas fabricantes de turbinas para energia eólica. Na entrevista, ele apontou que o Brasil já tem 18 gigawatts de base instalada de turbina eólica. “Isso foi construído em dez anos e representa a capacidade da Grã Bretanha. Tivemos um crescimento muito rápido nesta indústria”, disse, acrescentando que a indústria de energias renováveis estava apenas começando no Brasil em 2011 e foi impulsionada por um programa do BNDES de financiamento.

“O requisito para se candidatar a esse financiamento era atingir um nível muito ambicioso de localização da cadeia de suprimentos. Portanto, o desenvolvimento e a gestão de uma cadeia de suprimentos muito complexa baseada no País foi um fator crítico para o crescimento do mercado”, ele explicou. À época, a GE decidiu entrar no negócio e convidou Ferreira para começar do zero uma cadeia de suprimentos completa. E isso foi feito em menos de um ano. “Foi uma experiência incrível apenas começar um negócio totalmente novo, do zero, em uma companhia como a GE e ajudar esta divisão a se tornar um grande líder de negócios e relevante no setor”, avaliou.

E, então, no meio de uma pandemia, Rodrigo Ferreira foi chamado para mais um desafio: trabalhar para a Petrobras. Como CPO da empresa, além de gerenciar a cadeia de suprimentos e entregar metas muito desafiadoras, ele tem como meta contribuir para diversos processos de transformação. Questionado se, depois de ter construído um histórico de sucesso e reputação com empresas do setor de energia renovável, seu propósito mudou, o executivo disse que não, que seu propósito permanece o mesmo. E ressaltou que o compromisso com a descarbonização e implantação de energias renováveis por si só não serão suficientes para alcançar o Acordo Climático de Paris.

“Todas as indústrias, sem exceção, precisarão evoluir e trabalhar com um forte foco e disciplina para que isso aconteça. A agenda ESG veio para ficar. Portanto, meu propósito permanece o mesmo. Eu posso ajudar na descarbonização do planeta descarbonizando nossas operações de exploração e produção de petróleo, uma vez que a cadeia de suprimentos desempenha um papel muito importante nisso”, assegurou.

Segundo ainda Ferreira, o desenvolvimento de tecnologias de armazenamento de energia para funcionar como um amortecedor para acomodar a intermitência das energias renováveis ainda está em um estágio inicial. “A carbonização das operações de óleo e gás é uma questão muito importante a ser levada a sério a partir de agora”, ressaltou. Por isso, o desafio de assumir “a maior e mais complexa cadeia de suprimentos da América Latina” lhe encantou. “Quando fui convidado a tentar, simplesmente não pude dizer não, adoro grandes desafios.”

Mas como liderar a equipe para criar uma cadeia de suprimentos e de compras mais sustentáveis na Petrobras? Há, disse Ferreira, sim, há uma jornada de sustentabilidade em andamento para elevar o padrão das operações. Alguns meses atrás, foi introduzido um código de conduta para o fornecedor, incluindo expectativas em torno do ambiental, social e de governança. Além disso, estão sendo introduzidos critérios de equilíbrio e bônus nos processos de licitação que consideram aspectos de sustentabilidade. É um sistema dentro do conceito de bônus e penalidade, como o ofertado pela plataforma SAP Ariba.

Outra iniciativa consiste em explorar a experiência dos fornecedores para desenvolver a implementação de uma melhor tecnologia para reduzir a emissão de gases de efeito estufa nas explorações.Tecnologias como captura de carbono e disrupção de luzes estão ganhando escala e, segundo ele, podem apoiar em um futuro próximo nesta ambiciosa agenda.”Este é um esforço da cadeia de suprimentos em que uma empresa sozinha não pode fazer isso acontecer”, disse. Portanto, o papel da cadeia de suprimentos e compras e gerenciamento de fornecedores ganha importância.

Rodrigo Ferreira detalhou que a ampla cadeia do setor de energia é composta por quatro áreas-chave: baixo carbono, baixo custo, baixo risco e baixo desperdício. “Já estamos implantando vários esforços na pegada de carbono. Em termos de baixo custo, alta volatilidade dos preços e melhoria da competitividade dos renováveis fontes que exigem que as empresas sejam extremamente eficientes”, assinalou.

Para ele, a virada do jogo e o que realmente leva a cadeia de suprimentos para outro nível é estar em conformidade com os objetivos ESG e a capacidade anti-frágil resiliência. “Esses são os grandes diferenciais que podem elevar a barra. São as duas grandes coisas que todo profissional da cadeia de suprimentos deve pensar e concentrar seus esforços a fim de construir a cadeia de suprimentos de última geração.”