ESG: a hora de as PMEs entenderem a importância

A sigla ESG – environmental, social e governance – não é um modismo e está mudando a forma de fazer negócios no mundo. E adotar práticas sustentáveis, ao contrário do que se imagina, não requer investimentos vultosos.

A sigla ESG – environmental, social e governance, em inglês – está incorporada ao vocabulário de sua empresa? Se ainda não faz parte, saiba que está na hora de entender o conceito e colocá-lo em vigor. Empresas de todos os portes serão cobradas por suas responsabilidades ambientais e sociais e pela governança. E as grandes estão, cada vez mais, exigindo que as PMEs tenham seus processos produtivos em conformidade com práticas sustentáveis.

“As pequenas empresas precisam trabalhar com o conceito até porque as grandes companhias que as contratam começam a avaliar se seus fornecedores têm práticas ESG. Isso será um diferencial para as pequenas e médias, que terão de inserir ESG no dia a dia, nos projetos”, ressalta Marcus Nakagawa, professor da ESPM, autor e palestrante sobre o tema.

Em 2020, todo o mundo aprendeu uma importante lição: apesar dos planejamentos, saber exatamente o que o futuro reserva é algo impossível. Os desafios enfrentados por todos reforçou a visão de que abordagens devem ser realizadas com visão a longo prazo, principalmente quando isso significa impactar o meio ambiente. O “pensar sustentável” agora é o foco de empresas que pretendem continuar crescendo e sendo resilientes no futuro.

Inúmeras empresas estão assumindo uma postura proativa em relação aos critérios ESG, e isso impulsionará discussões em torno da qualidade dos dados. Segundo artigo publicado pela S&P Global, cerca de 90% das empresas entrevistadas publicam relatórios de sustentabilidade, porém apenas 16% têm referência aos fatores ESG em seus registros, criando uma divergência entre o que é divulgado nos registros e o que as empresas publicam voluntariamente.

Simultaneamente, uma série de iniciativas internacionais e regionais de política e regulamentação estão caminhando em direção ao mesmo destino. Segundo a MSCI, o crescimento deste tema será a pauta em alta e novas ferramentas e pesquisas podem ajudar a informar empresas sobre o rumo dos investimentos em ESG. Dessa forma, como implementar uma estratégia de gestão ESG em seu negócio e estar a par das regulamentações?

De acordo com palestra apresentada na Semana de Negócios Sustentáveis: ESG na prática do CRA-SP, o primeiro passo para a implementação do ESG é o diagnóstico prévio da empresa, onde busca-se entender a maturidade da mesma para com temas de sustentabilidade, social e de governança. Tendo um retrato da posição atual, os próximos passos são os de estratégia, transformação e implementação, onde define-se qual o melhor caminho a se seguir, as mudanças necessárias –que muitas vezes se encontram na própria cultura da empresa –, adoção e implementação de tecnologias que apoiem as práticas ESG no negócio.

“A gestão responsável dos recursos naturais e do capital humano é, claramente, uma parte importante da missão empresarial. Uma estratégia sustentável é aquela que visa a minimizar os efeitos negativos das operações de uma empresa no meio ambiente e comunidades locais, tratando as externalidades negativas. Nesse contexto, todas as empresas de grande, médio e pequeno porte podem adotar práticas responsáveis considerando os fatores ESG na gestão empresarial”, explana Maria Teresa Saraiva de Souza, professora do Centro Universitário FEI no programa de pós-graduação de gestão ambiental e sustentabilidade. Para a especialista, Em muitos casos, adotar práticas sustentáveis não requer investimentos vultosos. Como exemplo, cita a adoção de medidas simples de redução de consumo de recursos naturais como água e energia, o que não implica aumento de custos.