Níveis atuais de estresse e ansiedade podem derrubar em até 10% a produtividade

Em sessão conduzida por Cristina Palmaka, presidente da SAP América Latina & Caribe, durante o SAP NOW Brasil 2020, Arianna Huffington, CEO da Thrive Global, deu dicas valiosas sobre como a resiliência mental pode ajudar empresas e pessoas a saírem fortalecidos da crise.

Autora de 15 livros, colunista e cofundadora do site de notícias The Huffington Post, Arianna Huffington fundou a Thrive Global, uma empresa focada no uso da tecnologia para a mudança de comportamentos em prol da saúde mental. Na manhã desta quinta-feira (17/09), a especialista explicou que enxerga o momento pelo qual o mundo está passando como um catalisador para mudar as coisas que já não vinham funcionando.

“Estamos passando por tempos sem precedentes, em que as pessoas vivem uma série de perdas, incluindo as financeiras e as de entes queridos”, afirmou. No entanto, disse Arianna, a pandemia é como um portal que estamos atravessando. Antes dele, explicou, vínhamos registrando aumentos dramáticos dos problemas de saúde mental e de doenças crônicas, que claramente agora ficaram exacerbados no Brasil. “Quando falamos em negócios, esses perigos têm um enorme impacto em produtividade”, sublinhou. Citando dados levantados pela equipe científica da Thrive, Arianna afirmou que os níveis de ansiedade e estresse enfrentados atualmente pelos profissionais devem levar a uma redução de 5% a 10% na produtividade.

Por isso, a CEO é categórica: as empresas precisam abordar a resiliência mental de seus colaboradores se não quiserem sentir impacto em seus resultados – de produtividade, convívio e atendimentos de saúde. “Quando seus empregados se esgotam, eles obviamente se tornam menos produtivos e mais propensos a deixar a companhia, o que tem um impacto real nos negócios.”

Pensando nisso, a Thrive construiu um dashboard de resiliência mental através do qual é possível atribuir pontuações para a saúde mental dos colaboradores e para os riscos de burnout. “As empresas possuem dashboards para tudo, mas não pensam em criar dashboards para o capital humano. Hoje isso é central na forma como as companhias operam”, analisou.

E mesmo os investimentos tecnológicos e em inovação só serão válidos se por trás deles houver colaboradores mentalmente saudáveis. Este é, segundo Arianna, o caso das transformações digitais almejadas pelas organizações. “Elas só trarão os benefícios esperados se os colaboradores não estiverem estressados ou fora de si”. Esse é o momento de as empresas darem ênfase no fator humano. “Não há transformação digital que dê conta se os profissionais estiverem esgotados”, alertou.