PIX e Open Banking mudam o setor bancário brasileiro

Novas regulamentações e inovações em tecnologia levam a transformações nos modelos de negócio, afirma Marcos Cavagnoli, diretor de cash Management do Itaú BBA.

Ante as novas regulamentações que impõem mudanças profundas no setor bancário brasileiro, como PIX e Open Banking, as instituições precisam não apenas saber construir ecossistemas, mas também saber se integrar a eles, de forma a atender às jornadas dos clientes. Em painel conduzido por Nilson Musa, advisor para Indústria Financeira da SAP, e realizado durante o SAP NOW Brasil, Marcos Cavagnoli, diretor de Cash Management do Itaú BBA e Newton Donadio, diretor de Contas Globais da SAP, debateram como as inovações em tecnologia e os avanços na regulação estão transformando os modelos de negócio.

“Vejo um futuro promissor. Toda vez que há uma evolução e ela traz valor para o cliente, seja pessoa física, seja jurídica, entendemos como um momento em que o cliente será priorizado”, disse Marcos Cavagnoli. Para ele, a atuação do Banco Central em seu papel de regulador tem sido positiva e fomentadora de inovação. “Estão pavimentando a inovação e há um balanço entre segurança e os passos tomados rumo a esta evolução. Nosso sistema bancário é complexo e forte e precisa deste balanço entre inovar e avançar”, salientou, reforçando que o fundamental para as organizações é entender as jornadas dos clientes para desenhá-las da melhor forma.

A grande questão quando se fala em Open Banking é não apenas de tecnologia ou regulamentação, mas também de pensar no novo cenário que ele projeta, com um contexto aberto, troca de informação e alterando o modo de trabalhar. “Haverá horas de se criar jornadas para os clientes e de participar das jornadas”, apontou Cavagnoli. “A chave é atuar de forma conjunta e colaborativa visando a criar valor agregado para todos na cadeia”, ressaltou.  

Para ele, é muito importante neste momento de transição e ruptura que as organizações repensem o modo como trabalham, indo além da busca por soluções técnicas. “É pensar como se desenvolve o produto junto com o cliente, construindo jornadas a quatro, oito mãos. Estamos começando esta revolução cultural e de abordagem. Vejo um mundo de possibilidades se abrindo e sendo sólidas”, disse.

 Transformação digital

Do ponto de vista interno, Newton Donadio, da SAP, lembrou que o mercado financeiro é a indústria que faz investimentos massivos na adoção de tecnologias e agora, diante da transformação digital, focam em habilitar novos negócios de forma rápida, fácil e com menor custo. Entretanto, é preciso que a convivência dos dois modelos seja harmônica: o das aplicações monolíticas e o das novas ferramentas que habilitem a transformação digital.

Formar ecossistema é o futuro. “A transformação digital é habilitar novos modelos e modelos disruptivos de negócios. Uma das coisas que veremos em breve no Brasil é trabalho de parceria e coinovação; unindo forças entre empresas, buscando mercado, serviços novos e oferecendo algo que leve valor agregado. Também não dá para pensar em projetos que levem um ano; tem de ser rápido”, finalizou Donadio.