Porto Seguro: o caminho para o futuro é um seguro mais individualizado do que massivo

Mudança na forma como as pessoas interagem com seu patrimônio, valorizando mais as experiências do que o “ter”, vai exigir das seguradoras uma nova proposta de atuação.

A necessidade de isolamento e os abalos econômicos impostos pela pandemia impactaram os negócios da Porto Seguro, mas os resultados apresentaram equilíbrio. Se por um lado houve redução significativa do volume de vendas, por outro o número de sinistros diminuiu na mesma proporção. “Sob o ponto de vista financeiro, isso equilibrou a conta”, disse Marcelo Macedo, Superintendente de Desenvolvimento de Sistemas da Porto Seguro, durante sua apresentação no SAP NOW 2020, conduzida por Eduardo Brunetti, líder de Financial Services Value Advisor da SAP.

Na avaliação de Macedo, o desafio não é o agora e sim o depois. “E não somente para o mercado segurador, mas também para vários outros segmentos. Todos terão de repensar suas estratégias e forma de atuação, porque ninguém sabe como será o novo.”

Em contrapartida, ele acredita que oportunidades irão se abrir, em razão de as empresas estarem mais preparadas, mais digitalizadas e prontas para atender aos clientes de forma digital. “Quem estava mais preparado no digital se sobressaiu na pandemia”, destacou.

Muito antes dos efeitos da Covid-19, segundo Macedo, já vinha acontecendo uma mudança na forma como as pessoas se relacionam com os seus bens. “Hoje, a sociedade está começando a se preocupar mais em usar do que ter. Claro, ainda há o desejo de construir patrimônio. Mas especialmente para os jovens, o acúmulo de patrimônio não é o caminho da felicidade e sim a experiência que vai levá-lo a ser um ser humano mais completo. Querem acumular experiências e não bens”, afirmou.

Essa mudança na forma de lidar e entender o patrimônio também afeta o modo como o seguro deverá ser tratado. Hoje, o mercado segurador está pautado no “ter” e não na experiência. “Se olharmos o seguro de uma forma mais individualizada do que massiva, teremos o caminho para o futuro.”

Nova cultura

Para estar alinhado às novas exigências, ensinou Macedo, o mercado de seguros terá de olhar para a necessidade da pessoa e, a partir disso, desenhar um conjunto de soluções que atendam aos seus desejos.

“Entra em análise todo um arcabouço de leitura de consumo de dados, para conhecer a experiência e principalmente aspectos fundamentais dessa pessoa para que possamos tomar decisões e desenhar a melhor composição de produtos para atender às suas experiências.”

Macedo citou o exemplo de um cliente que pretende contratar um seguro de viagem e ficará hospedado num hotel em uma região segura. “Não pode ser avaliado da mesma forma para quem vai viajar para escalar o K2 (a segunda montanha mais alta do mundo, depois do Monte Everest). Por isso, é importante conhecer hábitos e experiências da pessoa, o que passa a ser um dado fundamental para a seguradora oferecer a melhor solução e assim fornecer a melhor experiência para a jornada desse cliente.”

Questionado sobre os avanços da modalidade pay per use no setor de seguros, Macedo disse que a empresa tem toda a tecnologia capaz de viabilizar o oferecimento de serviços nessa categoria, mas atualmente ele está disponível apenas como acessório de outros produtos, como serviços de eletricista, encanador e chaveiro.

“Seria possível tecnologicamente aplicar o pagamento por consumo também para seguro de automóveis, mas ele precisa ser amadurecido no Brasil por várias razões. O mercado segurador trabalha muito com perfis que são avaliados em uma escala compensatória, dependendo do nível de risco. Com o pay per use, temos de pensar como seria a melhor estratégia. No mercado americano, as seguradoras ingressaram nesse modelo e recuaram, então requer cautela, mas a barreira não é tecnológica”, afirmou.

Segundo Macedo, o mercado ainda tem muito a crescer, considerando que apenas uma pequena parte da população no país contrata seguro. “Muitas pessoas nem mesmo conhecem seus benefícios e que há um tipo para cada necessidade a ser coberta. Precisamos disseminar essa cultura”, finalizou Macedo, para quem isso não vai demorar a acontecer.