Suzano persegue o desafio de ser uma empresa orientada a dados

Gigante do setor de celulose vive transformação e reescreve o papel das lideranças, com perfil mais ágil e tecnologicamente colaborativo, conforme conta seu CIO, Ney Santos, a Giselle Ruiz Lanza, diretora geral da Intel Brasil, durante o SAP NOW 2020.

A Suzano está em plena transformação digital, em uma jornada de mudança tecnológica e cultural, em que o maior desafio é “ser uma empresa orientada a decisões baseadas em dados, com a criação de algoritmos e machine learning”. A afirmação foi feita por Ney Santos, CIO da Suzano, em conversa com Giselle Ruiz Lanza, diretora geral da Intel Brasil, na terceira sessão de keynote do primeiro dia da edição SAP NOW 2020.

“Em um negócio complexo, que opera em vários países e fatura R$ 32 bilhões, não há como tomar decisões sem ter sistemas inteligentes para apontar a melhor opção”, enfatizou Santos. ”A eficiência da cadeia de celulose passa naturalmente pela tecnologia. Está presente desde a decisão de quando cortar uma árvore, com base em dados de sensores e drones. Isso gera um grande volume de dados, e o desafio é usar novas tecnologias para transformar esse volume gigantesco em informação com qualidade em ação e não reação”, acrescentou.

A reboque da jornada de transformação digital, a Suzano passa também por uma mudança de cultura, em que os papéis das lideranças estão sendo rescritos. Segundo Santos, a empresa está colhendo resultados expressivos com projetos que comprovam o sucesso de processos descentralizados, com mais agilidade.

“Estamos reescrevendo o papel do líder, formalizando sua conexão com a tecnologia e uso de ferramentas de colaboração. O perfil desse líder é ágil. Temos trabalhado também com inovação aberta, startups e, nesse modelo, os funcionários criam e acompanham seus projetos. Não há hierarquia, chefia, fazemos uma pré-seleção, depois os projetos são avaliados por uma mesa julgadora. Estamos investindo também em treinamentos de metodologia ágil e design thinking.

Santos destacou ainda a importância do uso da tecnologia Intel e SAP no projeto de fusão da Suzano com a Fibria, realizado entre o final de 2019 e o início de 2020. Ele explicou que as empresas já eram usuárias de Intel e SAP e ressaltou o processo da fusão dos melhores processos das duas organizações.

“Todos os processos produtivos, administrativos e de RH rodam em plataforma SAP S/4HANA, com nível de excelência na estabilidade operacional”, disse. “Estamos super satisfeitos. O SAP comanda toda essa operação. No ano passado, 80% do nosso faturamento foram relativos a exportação de celulose, e isso é controlado da floresta até o navio e a chegada ao cliente dentro do SAP, rodando em máquinas Intel”, sublinhou Santos.

Desafios pós-pandemia

Quando provocado por Giselle a compartilhar os impactos na Suzano do mundo pós-pandemia, Santos destacou o universo de supply chain, com os desafios da logística. Para ele, é preciso ter claramente uma definição de fornecedores para contar com possibilidades e rotas alternativas globalmente.

“Produzimos celulose, mas o papel é composto por outros insumos que não são necessariamente produzidos no Brasil. Temos que pensar em contingências dos fornecedores globalmente”, contou.

A Suzano já oferecia a modalidade de trabalho remoto aos times. Antes da pandemia, havia 400 pessoas por dia em home office. Atualmente, são 5 mil colaboradores conectados em tempo integral. De acordo com Santos, o maior exemplo veio da própria área comandada por ele. O time de TI, com 150 pessoas, está todo em casa.

“Operamos com extrema eficiência, não enfrentamos dificuldades operacionais ou de gestão. Na minha área, o time pode trabalhar de qualquer parte do mundo. Eu me candidatei a ser um setor experimental porque isso conecta com os valores da Suzano; preservar o meio ambiente e promover a qualidade de vida”, explicou Santos.

Ele contou a Giselle que essa experiência tem exigido um enorme aprendizado, mas o importante é focar no bem-estar das pessoas. Para o CIO, quando se consegue criar um propósito e unir pessoas na mesma direção, os processos de inovação e a ação vão acontecer naturalmente.

“Quanto se tem pessoas engajadas e com objetivos muito claros, as coisas acontecem. Estamos em pleno movimento para engajar mais as pessoas. Deixar de ser uma empresa de comando e controle e passar a ser cada vez mais uma empresa de engajamento”, afirmou Santos.

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