Cuidar da saúde mental dos colaboradores é estratégia de negócios

Acabar com o estigma e oferecer tratamentos são ações recomendadas às corporações para criar um ambiente favorável de trabalho.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que dois em cada de dez brasileiros sofrem algum tipo de transtorno mental, sendo os mais recorrentes a ansiedade e a depressão. A International Stress Management Association (Isma-BR) estima que 32% dos trabalhadores brasileiros sofram com os efeitos do estresse, trabalhando sob forte pressão emocional, o que compromete a saúde física e mental. O Burnout, síndrome resultante do estresse crônico do trabalho, foi recentemente incluído na Classificação Internacional de Doenças pela OMS.

No Brasil, somente os afastamentos por ansiedade custaram R$ 1,3 bilhão à Previdência em 2016. Os gastos relacionados a casos de transtornos mentais custarão à economia mundial US$ 6 trilhões até 2030, de acordo com o Fórum Econômico Mundial. Os dados foram apresentados no painel “Mental Health Matters: por que é tão importante cuidar da saúde mental de seus colaboradores?”, realizado no SAP NOW.

“O tema da saúde mental começou a ser discutido na SAP, em maio, quando iniciamos um programa para que na empresa isto fique livre de estigma. O objetivo é que o colaborador tenha liberdade para falar sobre o assunto e que as pessoas possam se cuidar”, informou Luciana Coen, diretora de Comunicação Integrada e Responsabilidade Social da SAP.

O painel contou com a participação de Tatiana Pimental, CEO e fundadora da Vittude, plataforma B2C dedicada a conectar pacientes e profissionais, além de consultoria para as empresas implementarem programas de saúde mental. As consultas podem ser presenciais ou online. De acordo com Tatiana, um quarto dos pacientes da plataforma mora fora do Brasil e precisa de terapia por dificuldades de adaptação e falta de um psicólogo que fale português.

“Cerca de 50% das pessoas têm algum tipo de transtorno e os que ganham menos muitas vezes não têm condições de obter tratamento, que é considerado caro, e as empresas podem subsidiar. Pesquisas apontam que, para cada US$ 1 investido, as empresas têm um retorno de US$ 4, por meio de menos absenteísmo e uso do plano de saúde”, disse Tatiana.

Ana Paula Dias, psicóloga da Vittude, esclarece que, muitas vezes, o paciente busca um atendimento semelhante ao de uma consulta médica, mas terapia é um processo de autoconhecimento a longo prazo. O primeiro passo do terapeuta é acolher sem julgamento.

“Todo mundo tem momentos de crise. É preciso acabar com o estigma. Quando a empresa sente que um profissional não está rendendo tanto, com esgotamento físico e mental, que a vida pessoal está sendo impactada e que há um sentimento de vazio, podem ser sinais de depressão e é hora de procurar ajuda”, aconselha Ana Paula Dias.

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